Viagem, memória e pertencimento: o livro que conecta mulheres negras ao mundo
“Raízes do Atlântico: Histórias de Liberdade” transforma memória, ancestralidade e viagem em reencontro com a África
- Categoria: Brasil
- Publicação: 21/05/2026 09:04
- Autor: Da Assessoria
Foto: Divulgação
Foi escutando o Atlântico, suas travessias, silêncios, dores e reencontros, que nasceu o livro Raízes do Atlântico: Histórias de Liberdade.
Mais do que uma obra literária, o projeto é um manifesto afetivo e político construído por mulheres negras do Brasil, Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, reunindo narrativas que conectam ancestralidade, pertencimento, liberdade e o direito de existir em movimento.
Organizado
por Rebecca Alethéia, com curadoria de O Mary Ellen,
o livro reúne relatos de mulheres negras, africanas e
pessoas transgêneras que transformam o ato de viajar em ferramenta de
reconexão ancestral, resistência e emancipação. Cada página carrega um
reencontro com a África, não apenas geográfica, mas também espiritual e
histórica.
A obra mergulha no conceito de amefricanidade e nas experiências da diáspora africana para discutir território, identidade e liberdade sob uma perspectiva racial e de gênero. Entre travessias, deslocamentos e retornos, Raízes do Atlântico mostra que viajar também pode ser um ato de cura, reconstrução e reparação histórica.
“O livro não é apenas uma coletânea de histórias. É um mapa afetivo da diáspora negra contemporânea, onde diferentes vozes se encontram para reivindicar o direito de sonhar, circular e pertencer”, destaca Rebecca Alethéia.
O projeto contou com o olhar estratégico de O Mary Ellen, educador em Tecnologias e Artes no SESC, formado em Linguística pela USP e com trajetória voltada à comunicação transnacional. Sua pesquisa sobre territorialidade, brasilidade e identidades plurais ajudou a construir uma narrativa que atravessa fronteiras e conecta experiências negras em diferentes territórios do Atlântico.
Vozes que
atravessam oceanos
Raízes
do Atlântico reúne intelectuais, artistas, pesquisadoras, ativistas e viajantes
negras de diferentes regiões do Brasil e do continente africano. As histórias
percorrem o sertão baiano, as periferias amazônicas, quilombos do Cerrado,
Luanda, Maputo e Bissau, criando uma cartografia afetiva.
Norte do Brasil
A
obra apresenta a força das vivências negras amazônicas através
de Samily Maria e da artista visual Skarlati Kemblin trazendo
uma narrativa atravessada pela arte, pela memória e pelos afetos construídos
durante suas vivências pelo Brasil. Transforma suas experiências em reflexões
sobre identidade, liberdade e pertencimento. A atriz e escritora
paraense Amérika Bonifácio também integra o projeto com
reflexões sobre território e identidade negra amazônia.
Nordeste
Do
Ceará, Josefa Feitosa mulher negra, nordestina, de 65 anos, tornou-se mochileira após 35 anos de atuação como assistente social no sistema penal.
Compartilha sua trajetória de liberdade após um longo período no sistema
penal, tornando-se mochileira por 76 países. A geógrafa Geinne Monteiro resgata
as ancestralidades das margens do Rio São Francisco, enquanto a poeta marginal
maranhense Pietra D’Ofá leva para a obra a potência das
batalhas de rima e dos slams.
Sudeste, quilombos e memória
A
mineira Terezinha de Jesus relata o reencontro com suas raízes
em Luanda. A obra também reúne as contribuições de Ana Lígia
Santos trazendo seu olhar sensível sobre território, memória e
narrativa visual no livro. Da historiadora Helen Rose que compartilha suas
experiências de intercâmbio e reconexão com o continente africano,
especialmente em Angola e na África do Sul, refletindo sobre
autoconhecimento, resiliência, saúde emocional e
pertencimento. A paulistana de São Caetano do Sul para
o mundo, Rebecca Alethéia reflete sobre os desafios
enfrentados por mulheres negras viajantes, os medos e atravessamentos das imigrações,
além do profundo reencontro com sua ancestralidade africana. A
carioca Valéria Lourenço apresenta uma narrativa que
conecta literatura, música, ancestralidade e viagem. Em seu capítulo sobre o
Zimbábue, Valéria relembra como o reggae, a obra de Bob Marley e as lutas
africanas por independência despertaram seu desejo de conhecer o país.
Destaque especial para a pesquisadora Giselle Christina (in memoriam) celebrado sua trajetória intelectual, humana e afetiva a partir de uma experiência transformadora de afroturismo pela Colômbia ao lado de outras mulheres negras. Em seu relato, Giselle reflete sobre liberdade, pertencimento e o direito de mulheres negras conhecerem o mundo. A autora compartilha como a viagem despertou coragem, autonomia e novas perspectivas sobre si mesmas, destacando a força da coletividade, da amizade e das conexões construídas durante a travessia. Seu texto deixa como legado a afirmação de que mulheres negras podem ocupar qualquer espaço e transformar o mundo através de suas experiências e sonhos.
Região Centro-Oeste
De
Goiás temos Rosieni Kalunga, que amplia o debate sobre
turismo, território e pertencimento a partir da perspectiva da mulher
quilombola cerratense.
África contemporânea
De Guiné-Bissau, a artista e ativista Bangé Jaú representam os caminhos da mulher migrante na diáspora africana. Em Moçambique, Fátima Abel Matos utiliza tecnologia e escrita como ferramentas de justiça restaurativa e cura das feridas coloniais. Já em Angola, Du Kukubica compartilha experiências de empreendedorismo feminino e empoderamento em Luanda.
Uma obra sobre pertencimento e liberdade
Ao transformar experiências pessoais em memória coletiva, Raízes do Atlântico propõe uma nova narrativa sobre viagens negras e deslocamentos. O livro produzido com o incentivo do Governo do Estado de São Paulo e Ministério da Cultura, através do edital de fomento CULTSP - PNAB 28/2024, questiona quem historicamente teve direito à mobilidade e apresenta o turismo como ferramenta de autonomia, afeto e reconstrução identitária.
A publicação também marca os sete anos da Bitonga Travel, coletivo fundado por Rebecca Alethéia, voltado ao protagonismo de mulheres negras no universo do afroturismo.
Pesquisadora,
consultora e palestrante, Rebecca é mestre em Humanidades, Direitos e Outras
Legitimidades pela USP e especialista em Gestão Cultural pelo SENAC. Seu
trabalho conecta turismo, justiça social e ancestralidade, transformando
deslocamentos em experiências de reconexão e emancipação.
Ficha
Técnica do Livro:
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Organização: Rebecca Alethéia.
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Curadoria: O
Mary Ellen
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Coordenação: Daniela
Romão
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Colaboração
Administrativa: Yasmin Romão
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Revisão: Valéria
Lourenço
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Ilustrações: Juliana
Mota, Bangé Jaú, Skarlati Kemblin, Ana Lígia dos Santos e
Sylvia Sato.
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Link pré venda
do livro: https://www.asaas.com/c/6dcvrun9x7w9gmso
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